Esperança: nossa força combinada

O licenciamento ambiental é um instrumento administrativo da gestão pública. Ele serve ao equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a manutenção do meio ambiente.

Ontem, dia 13 de maio, a câmara dos deputados aprovou integralmente o texto base para a alteração do licenciamento ambiental (PL 37729/04). O texto aprovado fragiliza as regras de licenciamento e controle ambiental vigentes no Brasil. Essa mudança coloca a vida e a economia do país e do planeta em condição de vulnerabilidade. A boiada já atravessou a porteira, sem nem a notar. Mas ainda há uma barreira. O PL precisa da aprovação do Senado.

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Ontem, dia 13 de maio, o Brasil registrou 430.417 mortes. 430.417 pessoas perderam a vida para a Covid. Existe vacina contra a Covid. O governo Bolsonaro recebeu oferta de compra e negou – não três, como Judas, mas 11 vezes.

430.417 famílias foram afetadas por essas 430.417 mortes. O governo Bolsonaro matou pessoas e mutilou famílias porque se aliou ao vírus. Instaurou o caos. Enfraqueceu as pessoas. O caos e o enfraquecimento das pessoas facilitam a passagem da boiada.

Há uma CPI que pode punir os criminosos. Um deles, Eduardo Pazuello (general da divisão do Exercito Brasileiro), nosso Otto Adolf Eichmann (SS-Obersturmbannführer da Alemanha Nazista) – o “cidadão de bem”, o “obedece quem tem juízo” – tem fugido de oferecer seu testemunho. O “manda quem pode” tem trabalhado para blindar talvez o mais paspalho dos seus asseclas. Há uma CPI. Ela pode punir os criminosos.

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No dia 13 de maio, acordamos e fomos dormir sabendo que a produção científica do Brasil está com níveis de oxigenação muito abaixo daqueles que sustentam a vida. Com queda consistente de orçamento desde 2013, no dia 11 de maio, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) alertou que pode fechar as portas em julho deste ano. Não é apenas a UFRJ que está ameaçada. Sem produção científica, não há desenvolvimento do país.

Não importa o quanto da Amazônia e do Cerrado seja derrubado, assassinado, loteado, vendido, transformado em resort, estacionamento, shopping center, loja da Havan. Nada disso vai trazer desenvolvimento e riqueza para o país. Pelo contrário. Mas a pesquisa, a produção em ciência, sim, pode desenvolver e enriquecer o pais.

É preciso pressionar o governo a reverter o bloqueio da verba que inviabilizará o que já segue com menos recursos do que é necessário. É preciso o engajamento de toda a sociedade para tentar impedir que, em meio a uma pandemia, a pesquisa que pode trazer respostas e nos salvar seja também asfixiada.

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Apesar dos orçamentos apertados e achatados pelo teto de gastos, Bolsonaro encontrou recursos para aumentar em 69% o seu próprio salário e o salário da cúpula de governo. Tal medida entrou em vigor em maio. Enquanto isso, todo o funcionalismo público de carreira segue com seus salários congelados. Na visão desse governo, como o ministro da economia e o próprio presidente insistem dizer, essas pessoas são vagabundas.

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E nós? Soterrados por mentiras e contradições, até então desconhecidas no nosso repertório comum, estamos confusos e cansados.

E nós? Engolidos pela perversidade explícita de um governo que se aliou ao vírus mortal.

E nós? Apáticos sob a pilha de 430 mil corpos que não para de crescer e a qual se somam aqueles perdidos em massacres ordenados pelo mesmo Estado violador.

Ao que tudo indica, não restará país para erguer em 2022. E não restará quem o erga. Das violências que o governo Bolsonaro vem cometendo desde o seu primeiro dia de mandato, os mais afetados são aqueles que a sociedade, a pátria amada, mantém em maior vulnerabilidade. Sem surpresa, é dessa parcela da população que vem a maior resistência contra a morte e o empobrecimento da nação.

É nas reservas indígenas, dentro da floresta, onde reside a maior potência contra a devastação da vida, da cultura, dos saberes mais ancestrais dessa terra. Essa mesma potência também está ativa nas comunidades quilombolas que resistem por todo o país. É na população mais empobrecida, que não coincidentemente é preta e é mulher, que está a maior expressão de resiliência humana desse país. É importante reconhecer o valor dessa gente que é nossa gente e que insistimos em não perceber como gente.

É muito. É demais. É paralisante. Mas não dispomos do tempo para permanecer assim.

O Brasil está sufocando. Bolsonaro nos tira o pouco ar que resta. Temos, ainda, cilindros disponíveis. Temos a CPI da Covid. Temos o Senado para travar a PL do desmatamento. Temos como levantar nossas vozes coletivas contra a desnutrição das universidades públicas federais e o prejuízo da nossa produção em ciência. É preciso que a indignação popular se organize. Não dá pra esperar.

Sob a sombra do abandono

Essa é uma reflexão importante. Procede priorizar a vacinação de profissionais de saúde que atendem remotamente em detrimento de outros grupos, efetivamente de risco?

Essa questão ganha mais relevância no contexto de escassez de vacinas que o Brasil enfrenta. Resultado do pobre planejamento das autoridades e estrategistas do governo.

Para piorar o cenário, a falta de um calendário nacional de prioridades, deixa que cada município se organize conforme suas próprias lógicas. Isso dificulta ainda mais o mapeamento de quais grupos foram vacinados e a definição de políticas públicas efetivas no controle e solução dos prejuízos causados pela pandemia.

No micro, a tragédia “espalha ramas pelo chão”. Abandonados aos próprios julgamentos, invariavelmente encobertos pela densidade da sombra que os interesses particulares ganham, indivíduos tentam se proteger cavando oportunidades dentro do caos. Profissionais de saúde, nem sempre em atuação e menos na linha de frente tem viajado para outros municípios atrás da desejada dose de vacina. Da perspectiva do indivíduo procede. É questionável, mas procede.

Cadê o Estado para orientar adequadamente os municípios, as populações, as classes profissionais e os indivíduos? Cadê o planejamento?

Há quem declare surpresa pela persistência dos prejuízos causados pela pandemia nas nossas vidas e no funcionamento da sociedade. Que surpresa é essa? Especialmente para nós, brasileiros. Pessoas, elegemos um governo que mata. E ele avisou que mataria.

Impressiona que alguém, livre de ser seguidor da seita b-nazi, carregue alguma fantasia de que o governo trabalha por soluções que visem o interesse coletivo e a vida. De onde nasce nessas pessoas a surpresa de que estamos mergulhando em queda livre infinita pelo menos desde novembro de 2018?

Consciência e atuação política é imprescindível. Reavaliar o modelo econômico é urgente.

Não é “só” o mau cheiro. Além de prejudicar a sobrevivência da fauna e da flora, e mesmo o sustento de comunidades de pescadores, o lixo lançado diariamente na rede hídrica também prejudica a saúde das pessoas.

E não é pouco lixo.

Para você ter uma dimensão da coisa, em menos de duas horas de mutirão 17 voluntários recolheram 6 mil litros de lixo de um pequeno trecho à margem do Canal de Marapendi. A variedade do que foi encontrado você vê nas fotos.

Esse mutirão não é o único. São muitas iniciativas que acontecem de modo articulado ou independente. Ainda assim, o lixo parece não ter fim. Todo dia ele volta, arrastado pelas correntes das águas ou simplesmente abandonado ali.

Já pensou como isso prejudica a sua vida? Você percebe o prejuízo para a economia, o turismo, ou mesmo o valor do seu imóvel? O que você pode fazer para evitar a degradação desse ecossistema e o empobrecimento da sua cidade tão aninhada nessa natureza?

Conheça seu lixo. Consuma menos. Reaproveite e reutilize. Questione “conveniências”. Mas, exija e lute por políticas que multipliquem o seu esforço, para que as iniciativas individuais não se percam.