Não tem perdão

Nunca tinha ouvido falar. Ricardo Kertzman. Aprendi que existe porque alguém compartilhou pelas redes sociais uma opinião do sujeito pra Isto É.

Ricardo Kertzman é um imbecil.

Imbecil: aquele que denota inteligência curta ou pouco juízo; idiota; tolo.

Digo isso não apenas porque sua opinião para a Isto É é imbecil, mas porque o imbecil escreve o texto para pedir perdão pelo seu voto em Bolsonaro. Alega, essencialmente, que foi uma aposta equivocada, mas justificada pela “ojeriza ao lulopetismo”.

Exato. Ele cometeu um erro, mas como ele poderia imaginar? E, convenhamos, foi levado a isso. A culpa, é claro, é do outro, é do PT.

Sim, minha gente. O imbecil Ricardo Kertzman se viu obrigado a votar no genocida pela “ojeriza ao lulopetismo”, logo a culpa é do PT e sua, meu caro, que ele considera ser um lulopetista – seja lá o que isso for.

Agora já temos duas informações sobre Ricardo Kertzman. Ele é imbecil e sem vergonha.

Mas ele também é covarde e inconsequente.

Veja, ele deixa transparecer que Bolsonaro era questionável. Não. Afirma que era inaceitável, posto que declara ter votado de olhos fechados. Amigos, ele fechou os olhos e jogou nosso futuro, que é o presente, ao azar.

Mas nem de olhos fechados lhe foi possível apertar 17. Não. Ele sabia o tamanho da merda que estava fazendo, então, qual a solução dele?

Ele fechou os olhos e orientou a filha de 12 anos que apertasse 1 e 7.

Imbecil. Sem vergonha. Covarde. Inconsequente. Eleitor de genocida.

Eu acho essa imagem particularmente marcante: fechou os olhos e orientou a filha a apertar 17.

Lembram-se em 2018 daqueles homens e mulheres de bem? Diziam ser pela familia, pela vida, por deus. Lembram como eles ensinavam seus filhos a fazer arma com os dedos das mãos?

Pois é.

Fechou os olhos e orientou apertar 17.

Crime.

Orientou a filha a cometer o crime que ele mesmo não teve coragem de executar com as próprias mãos. Fez da filha seu capanga. Elegeu, pela filha, um genocida. Ele sabia.

Imbecil. Sem vergonha. Covarde. inconsequente. Eleitor de genocida.

Agora pede perdão. Alega a “ojeriza ao lulopetismo” como atenuante de seu crime.

Não atenua. Não justifica. Não tem perdão.

Ojeriza: sentimento de má vontade, aversão, antipatia gerada pela intuição, por uma percepção, um ressentimento.

Lulopetismo: neologismo que designa o petismo exacerbado com culto à personalidade de Luiz Inácio Lula da Silva. (dicionario informal online)

Não sei se há de fato um lulopetismo, ou, havendo, se ele se compara ao bolsonarismo. Mas eu afirmo — afirmo — nunca ninguém viu ou ouviu de Lula, do PT ou de seus simpatizantes ou partidários incitação à morte, ao cerceamento de liberdades, ao desprezo à dignidade, à difusão da mentira.

Bolsonaro, ao contrário, sempre idolatrou e fez apologia a toda forma de violência mais vil e covarde.

Se era para ter ojeriza a algo, era para ser dirigida ao alvo certo: Bolsonaro

Antipatizar, discordar, rejeitar o PT ou Lula ou o tal do lulopetismo não justifica eleger uma personalidade que idolatra a violência e a morte.

Ricardo Kertzman sabia disso. Fechou os olhos e orientou a filha a apertar 17.

Cada paspalho que anulou, votou branco ou fechou os olhos e apertou 17 também sabia. Todos eleitores de genocida. Todos igualmente imbecis, sem vergonha, covardes e inconsequentes.

Agora perguntam: como chegamos aqui?

Chegamos aqui por sua culpa. Sua culpa. E nós avisamos.

Mas vocês disseram que se ele fizesse merda vocês o tirariam do poder — como acreditam ter feito com Dilma. Imbecis. Inteligência curta.

Se ele fizer merda a gente tira, vocês garantiram. Então, vão lá e tirem. Vão lá. Tirem.

Não fiquem aí pelas redes sociais questionando o que dizem ser “nossa apatia”.

Nós avisamos. Vocês fecharam os olhos. Anularam. Votaram branco. Apertaram 17.

“Ojeriza ao lulopetismo” é sua desculpa maltrapilha.

Não tem perdão pra vocês.

Vocês fecharam os olhos. Agora, o melhor que podemos fazer por vocês, e por nós mesmos, é garantir que abram de fato esses olhos fechados. Abram e vejam bem o que fizeram. Abram seus olhos e vejam bem o que fizeram.

Abram seus olhos. Olhem suas mãos. Vejam.

Sim, elas estão sujas de sangue. Elas estão carregadas das mortes desnecessárias. Rígidas da dor de tantas familias dilaceradas. Suas mãos. Suas digitais.

Não tem perdão. Nada justifica. Menos ainda essa “ojeriza ao lulopetismo”.

Carreguem o peso do crime que ajudaram a cometer e se corrijam. Se corrijam. Evoluam. Virem gente. Desenvolvam inteligência. Construam humanidade.

Esse papelão do Ricardo Kertzman, de confessar que fechou os olhos e orientou a filha a apertar 17 por causa de um tal “lulopetismo” e sua “ojeriza” a ele năo nos é surpresa.

Assim como avisamos que sua covardia era criminosa e imploramos: vote pela vida, tudo menos Bolsonaro; nós também sabiamos que cedo ou tarde vocês viriam a público pedir um perdão enviesado alegando imprevisibilidade, erro de cálculo e se vitimando, porque seu erro foi culpa do PT e do tal lulopetismo.

Lia Luft foi uma das primeiras paspalhas a mandar esse caô. Lembro bem. Até escrevi sobre isso. Ela se enterrou nessa desculpa logo com as primeiras covas, em 2020.

Ricardo Kertzman, Lia Luft e tantos outros, vocês sabiam. Se sua inteligência era curta ou estava encurtada de ressentimento nós trabalhamos muito para te ajudar a não cometer o crime que estavam dispostos a cometer. Mas vocês nos ignoraram.

Não tem perdão.

Ricardo Kertzman, se quase puxa a responsabilidade para si, de covarde que é recua e sustenta a malandragem de dividir o peso com todos.

Repete a frase da carta de Robert Lewis: o que fizemos?

Não. O que você fez. Não seja ridículo. Você. O que você fez. Você e gente como você.

Todos os que apertaram 17, olhos fechados ou não. Todos os que votaram branco. Todos os que anularam.

Você. O que você fez.

No texto, o autor chega a questionar se Bolsonaro é gente. Moço, se você se considera gente  Bolsonaro é gente.

O texto é recheado de baboseiras e desconexões com a realidade. Em dado momento, ele alerta que o Resident Evil ocupando o Alvorada — por causa dele, Ricardo Kertzman, e de gente como ele — tentará golpear a democracia. Caro covarde e imbecil Ricardo Kertzman, ele não tentará. Ele já golpeou a democracia. E você sabe. Você sempre soube. Se não sabia, avisamos.

Qualquer pessoa não criada em uma caverna nos confins da Sibéria sabia exatamente o tipo de inferno que significava abrir as portas para os Bolsonaro e suas milícias. Então, não. Não tem perdão. E nós avisamos. Imploramos.

O covarde eleitor de Bolsonaro, por voto ou omissão, pode enfiar o pedido de perdão bem onde Dudu Bozo acredita que as máscaras devam ser usadas.

Reafirmando seu compromisso com a imbecilidade Ricardo Kertzman propôe uma comparação incomparável entre seu ato delinquente de apertar 17 e o co-piloto do Enola Gay.

Caro eleitor genocida (quem vota em genocida ou deixa genocida se eleger é genocida). Caro eleitor genocida, ao que consta, o dito co-piloto não sabia exatamente o que carregava até ver o resultado de seu lançamento. Você, eleitor de genocida, sabia. Tinha idade para votar? Não passou a vida inteira preso um um bunker debaixo da terra? Então, eleitor de genocida, você sabia a merda que estava fazendo. Você era o agente na missão de guerra que sabia da arma letal que transportava e ainda assim a despejou. Se tem um Robert Lewis aqui nessa história é sua filha, a quem, de olhos fechados, você orientou que apertasse 1 e 7.

Que miserável ser abjeto é você. Não. Não tem perdão. Não tem perdão.

Usar como desculpa sua “ojeriza do lulopetismo” é vergonhoso.

Todos os covardes que fecharam os olhos, o fizeram porque sabiam sim quem era o maldito desgraçado que estavam a ponto de eleger. Sabiam sim que, por maiores críticas ao PT ao Lula ou ao tal lulopetismo, nunca nada se comparou às baixezas dos bolsonaros e suas milícias, já conhecidas e escancaradas durante a campanha eleitoral. Se não sabiam, não faltou quem se oferecesse para iluminar-lhes o óbvio. Bando de ignorante covarde, fecharam os olhos.

Vocês, nesse oco que existe dentro dos seus crânios, fizeram uma conta. Tenho certeza. Consideraram seus privilegios e pensaram, quando der ruim, não vai respingar em mim. “Quando”, porque era certo que daria ruim. Mas vocês erraram a conta.

Provavelmente imaginaram: quando der ruim, morrerão os outros, os que já morrem mesmo, os que não me importam, os que estão distantes — pela pobreza, pela miséria, pela raça, pela geografia, pela desigualdade desumanizadora. Mas aqui, em mim, nos meus, você pensou, a morte trágica não chega. Tenho certeza. Foi assim que você pensou. É assim que você sempre pensou. Pensa. Ainda que não admita nem pra você mesmo.

Mas, sim, você fez a conta, e calculou muito mal. Tem coisas que furam até mesmo a barreira dos privilelégios. Elas podem ser pequenas. Mesmo invisíveis a olho nu. Sabe o que não é invisível a olho nu? Sua mediocridade. Sua imbecilidade. Sua  covardia. Sua sem vergonhice. Sua inconsequencia.

Não. Não tem perdão.

Eu te desejo saúde e vida longa. Desejo memória também.

Que todo dia, até o seu fim distante você se lembre do sangue que optou por derramar ao eleger um genocida. Olhos abertos ou fechados.

Não diga que você não podia imaginar. Nunca mais repita essa mentira estúpida. E melhore. Aprenda. Viva com a sua responsabilidade pelo mal que causou e segue causando e aprenda com essa dor.

Aprenda a pensar. Pensar nos outros, além de você mesmo. Pensar no coletivo.

Aprenda. E se não puder. Aprenda a escutar. Aprenda a escutar. Aprenda a ter humildade e escutar.

Aprenda a prezar a vida. Sempre. Prezar a vida acima de tudo. A vida acima da pátria. A vida até acima de deus, pra quem acredita. Porque se houver um deus, ele certamente haverá de ser pela vida.

Aprenda. E não. Não tem perdão.

https://istoe.com.br/deus-o-que-fizemos-que-erro-terrivel-cometi-com-bolsonaro-perdao/

Amoedo está chateado

Unanimidade no voto do partido NOVO contra a manutenção da prisão de Silveira. Não é a primeira vez que o NOVO se alinha ao mais baixo na política e na moral. É comum que argumentem e julguem em total descolamento com o contexto. Das bandeiras “inofensivas” compartilhadas com a extrema direita ultra liberal no poder consta: administração eficiente do estado. É uma versão da bandeira anticorrupção que nos trouxe aqui.

Interessante que os Novistas sapatênis aqui do meio fio já encontraram a desculpa para absolver seu partido: O Amoedo está chateado. Dizem que o voto contra a manutenção da prisão de Silveira não representa o bochecha rosa e nem o partido. Insistem que tem muito fascistoide disfarçado de liberal dentro do partido.

Fiquei confusa. Não é o NOVO, super “eficiente e racional” na administração, aquele partido-empresa, que faz processo seletivo pra adesão de membros? Tal processo, segundo Amoedo, é justamente para garantir que somente os que tem mérito técnico e moral, possam representar a legenda. É isso não? Tem também a taxa, né? A pessoa tem que ser aprovada no processo seletivo e pagar uma taxa de adesão ao clube dos seletos. Então, eles garantiriam a superioridade ética, moral e técnica de seus afiliados.

Ainda assim, o Amoedo está chateado porque, mais uma vez, os representantes pelo NOVO se alinharam com o pior.

Ou o processo seletivo deles é uma bosta, logo não se pode confiar na capacidade técnica que alegam, ou o CEO do partido, Amoedo Bochecha Rosa, não está nada surpreso.

Política não é administração de empresa.

Sob a sombra do abandono

Essa é uma reflexão importante. Procede priorizar a vacinação de profissionais de saúde que atendem remotamente em detrimento de outros grupos, efetivamente de risco?

Essa questão ganha mais relevância no contexto de escassez de vacinas que o Brasil enfrenta. Resultado do pobre planejamento das autoridades e estrategistas do governo.

Para piorar o cenário, a falta de um calendário nacional de prioridades, deixa que cada município se organize conforme suas próprias lógicas. Isso dificulta ainda mais o mapeamento de quais grupos foram vacinados e a definição de políticas públicas efetivas no controle e solução dos prejuízos causados pela pandemia.

No micro, a tragédia “espalha ramas pelo chão”. Abandonados aos próprios julgamentos, invariavelmente encobertos pela densidade da sombra que os interesses particulares ganham, indivíduos tentam se proteger cavando oportunidades dentro do caos. Profissionais de saúde, nem sempre em atuação e menos na linha de frente tem viajado para outros municípios atrás da desejada dose de vacina. Da perspectiva do indivíduo procede. É questionável, mas procede.

Cadê o Estado para orientar adequadamente os municípios, as populações, as classes profissionais e os indivíduos? Cadê o planejamento?

Há quem declare surpresa pela persistência dos prejuízos causados pela pandemia nas nossas vidas e no funcionamento da sociedade. Que surpresa é essa? Especialmente para nós, brasileiros. Pessoas, elegemos um governo que mata. E ele avisou que mataria.

Impressiona que alguém, livre de ser seguidor da seita b-nazi, carregue alguma fantasia de que o governo trabalha por soluções que visem o interesse coletivo e a vida. De onde nasce nessas pessoas a surpresa de que estamos mergulhando em queda livre infinita pelo menos desde novembro de 2018?

Olhar estrangeiro

Cadela Rosada
                       [Rio de Janeiro]

Sol forte, céu azul. O Rio sua.
Praia apinhada de barracas. Nua,
passo apressado, você cruza a rua.

Nunca vi um cão tão nu, tão sem nada,
sem pelo, pele tão avermelhada…
Quem a vê até troca de calçada.

Têm medo da raiva. Mas isso não
é hidrofobia — é sarna. O olhar é são
e esperto. E os seus filhotes, onde estão?

(Tetas cheias de leite.) Em que favela 
você os escondeu, em que ruela,
pra viver sua vida de cadela?

Você não sabia? Deu no jornal:
pra resolver o problema social,
estão jogando os mendigos num canal.

E não são só pedintes os lançados
no rio da Guarda: idiotas, aleijados,
vagabundos, alcoólatras, drogados.

Se fazem isso com gente, os estúpidos,
com pernetas ou bípedes, sem escrúpulos,
o que não fariam com um quadrúpede?

A piada mais contada hoje em dia
é que os mendigos, em vez de comida,
andam comprando boias salva-vidas.

Você, no estado em que está, com esses peitos,
jogada no rio, afundava feito
parafuso. Falando sério: o jeito

mesmo é vestir alguma fantasia.
Não dá pra você ficar por aí à
toa com essa cara. Você devia

pôr uma máscara qualquer. Que tal?
Até a Quarta-Feira, é carnaval!
Dance um samba! Abaixo o baixo-astral!

Dizem que o carnaval está acabando,
culpa do rádio, dos americanos…
Dizem a mesma bobagem todo ano.

O carnaval está cada vez melhor!
Agora, um cão pelado é mesmo um horror…
Vamos, se fantasie! A-lá-lá-ô…!
 
Elisabeth Bishop

Cresci com o olhar daqui e o olhar do estrangeiro. O olhar da minha mãe me ensinou o estranhamento. Lendo esse poema lembrei desse olhar do qual me alimentei.

Ao que serve o arrependimento?

Lya Luft e a banalidade do mal no voto entediado, leio no DCM em junho de 2020. Diz que se arrependeu do voto em Bolsonaro. Que não sabia bem o que fazia, porque não o conhecia, apenas precisava liberar o país do… Adivinha? Isso. Precisava liberar o Brasil do PT. (O ser patético não precisa ser inventado. Ele existe e repete coisas como essa daí).

Me causa repulsa a recusa de alguns em reconhecer a própria autoria no capítulo trágico da história democrática desse país. Era sabido que em algum momento o apoio a um sujeito desqualificado e violento seria uma mancha suja demais para seguir ostentando atrás da maquiagem verde amarela, desfigurada de tanto ódio. Em nome desse ódio mal disfarçado, entregaram o Brasil nas garras de quem nunca escondeu o gozo perverso com o sofrimento e até a aniquilação do outro. Agiram de forma consciente, conivente e desejosa do horror que se descortina sem surpresas. Agiram confiantes de que, se necessário, alegariam a mesma ignorância que tantos homens e mulheres “de bem” alegaram por terem apoiado os crimes contra a humanidade durante o nazismo.

Não existe absolutamente nenhuma justificativa que isente de responsabilidade aquele que votou em Bolsonaro. Também não há como isentar de responsabilidade aquele que, ao abrir mão do voto, deixou este governo (fascistoide ou fascista?) se estabelecer no poder.

Não há pedido de desculpas que baste. A escolha foi consciente. Não é possível alegar ignorância. Não é possível alegar desconhecimento. Não há arrependimento. Não venha pedir desculpas tentando salvar sua biografia.

O que eu respeitaria seria se cada um, ou ao menos alguns destes que usaram o título de eleitor como arma para desferir seu ódio, viesse a público admitir sua responsabilidade concreta e motivação real para o quadro atual. Não aceito e não respeito e não acredito em pedidos de desculpas levianos, de quem quer tirar o corpo fora alegando ignorância, desconhecimento ou mesmo boa fé. Que carreguem em si o peso, a dor e o sangue que sua escolha (inclusive a escolha de anular voto em uma eleição atípica como a de 2018) já causou e seguirá causando por muito tempo.

Por que insisto na responsabilização de si mesmo, quer dizer, por que insisto que a pessoa precisa parar de se justificar e de posar arrependinento?

Porque é a única possibilidade de que, talvez, essa pessoa seja capaz de não repetir o mesmo erro. Mais, e talvez isso seja o mais importante, é a única forma de a pessoa se desvencilhar da arrogância, do medo e do fanatismo que a impede de estabelecer qualquer diálogo.

Pra você, que ainda está tentando dialogar com quem não está aberto, segue meu pensamento.

O fanático não dialoga. É terra arrasada. Pisar nela vai te exaurir, te arrasar também. Nada floresce ali. A boa notícia é que esse universo de pessoas propensa ao fanatismo é relativamente baixo. Não havendo tecnologia, por hora, para semear diálogo nesses campos áridos, a forma é desnutrir retirando qualquer oportunidade de plataforma que alimente essa gente.

O que vem se chamando de bolsonarismo é a expressão caoticamente aglutinada da escória de ressentidos quando ganha olofote e ribalta. Não significa que não estivessem lá antes. Apenas, antes, eram os paspalhos do churraso de família, os chucros do bar ou da empresa. Ainda não sabemos como recuperar essas pessoas. Talvez não seja possíve recuperá-las. É que não é falta de instrução o que as define. Também não é uma doença mental, como pode parecer ao serem chamadas, genericamente, de loucas. Se há uma doença, ela é moral e eu não sei como isso se corrige. Então, apenas deixe que definhem e rastejem nas sombras, como sempre fizeram.

Amanheci hashtag

Quem sou eu na fila do pão? Sou uma pessoa comum que está tentando avaliar esse manifesto cheio de assinaturas, identificado como frente ampla pela democracia e contra o fascismo. Me sinto relativamente aliviada em saber que somos 70% — mas somos 70% de quê?

É certo que quando o rolo compressor vem ameaçando nossa existência, é urgente uma ação pela sobrevivência. Mas, quando vamos sair desse modo tão primitivo: agir pelo instinto de sobrevivência, um instinto basal, nem sempre provido de raciocínio? Pra ilustrar o absurdo disso, vi circulando, em um canal obscuro no YouTube, uma web-serie no modo “survivalist“. O canal é atribuído a uma empresa que leva o nome de uma pessoa que se pretende algo como um coach que vai te ensinar a atravessar crises. Claro, a protagonista é um gringo fantasiado de soldadinho. Faz referência à sua experiência como combatente nas tantas guerras que seu país inventa pelo mundo com o pretexto de promover democracia. Compõe a caracterização a ostentação de armamento pesado. Essa caricatura de oportunismo barato é a face do que aceitamos nos tornar.

Pra que serve a história? Estaremos condenados a repetir os mesmos erros de sempre, às custas da covardia e do medo? Não aprendemos nada com slogans vazios de conteúdo?

É preciso união, mas tendo a coragem de construir uma pauta concreta e coerente, capaz de mobilizar transformação. O debate para essa construção já é transformador. Ainda que lá na frente os rentistas usurpadores de sempre nos passem a perna, teremos uma plataforma sobre a qual ficar de pé. O preço dessas frentes amplas sem forma é a deformação de tudo. O grito vazio de “é contra a corrupção” de 2013 vira o grito esvaziado de “é contra o fascismo”. De grito em grito não dizemos e não ouvimos nada. Precisamos de um projeto. É urgente.

 

Imaginar: a coragem de ser livre

“I can’t breathe!”. Eu não posso respirar! Repetiu George Floyd, assassinado por asfixia pelas forças racistas do Estado, em maio de 2020.

Até a manhã de 31 de maio do mesmo ano, o mundo contabilizava 369.529 mortes humanas por asfixia em complicações associadas ao Covid-19.

Ailton Krenak, em muitas de suas falas, tem chamado a atenção para o descolamento do homem branco de tudo o que diz respeito à vida. Destaca o absurdo da sua fantasia de superioridade à outras raças, outras espécias, o planeta, e, até, fora dele.

Não é exagero. Ontem, em meio ao caos na terra, uma nave tripulada deixou o planeta com destino a uma estação espacial. Parece um grande feito. Muita gente animada. Os EUA, aparentemente recuperariam sua liderança na exploração do espaço — não fosse suficiente a bagunça que vai-se acumulando aqui embaixo. E, apostam os senhores do capital, voos comerciais tripulados serão rotineiros. Uau, hein…

“I can’t breathe!”, repetiu George Floyd antes de desacordar, sob as botas de um policial branco, até, finalmente, morrer.

“Alguma coisa está fora da ordem”. Te parece?

Uma mudança radical precisa acontecer. Essa mudança precisa ser voluntária e consciente. Krenak alerta não ser adequado pensar nessa suspensão da vida, provocada pela pandemia, como algo temporário, que apenas adia nossos planos, para que retomemos tudo de onde parou. É necessário que se reflita como se chegou até aqui, e o que deve ser feito para que não se repita.

Achille Mbembe faz a mesma prolação em seu artigo ‘O direito universal à respiração’. Reproduzo um trecho.

“Presa em um cerco de injustiça e desigualdade, grande parte da humanidade está ameaçada pela asfixia, e a sensação de que nosso mundo está em suspenso não para de se espalhar.

“Se, nessas condições, ainda houver um dia seguinte, ele não poderá ocorrer às custas de alguns, sempre os mesmos, como na Antiga Economia. Ele dependerá, necessariamente, de todos os habitantes da terra, sem distinção de espécie, raça, gênero, cidadania, religião ou qualquer outro marcador de diferenciação. Em outras palavras, ele só poderá acontecer ao custo de uma ruptura gigantesca, produto de uma imaginação radical.

“Um mero remendo não será suficiente”.

Não é de agora a denúncia sobre essa falta de imaginação humana, que insiste em velhas fórmulas falidas, ou, como diz Mbembe, meros remendos.

A boa notícia é que podemos fazer mais do que remendar. Somos dotados da capacidade de imaginar. E somos em maior número do que aqueles que se encontram embotados dessa capacidade.

Ontem o Brasil foi dormir com a esperança de que sua porção não necrosada, viva, capaz de imaginar, é a maioria. #Somos70%. Talvez sejamos mais. Não só no Brasil. No mundo. O que falta pra ativar a coragem de imaginar outro jeito de estar no mundo, e de ser com o mundo?

Em nome desses outros jeitos de estar no mundo, compartilho a determinação e a coragem dessa mulher nigeriana, Sophie Oluwole. Desafiando a narrativa dominante que silencia e apaga outros olhares, seres e pensares, ela teve a coragem de se imaginar em um lugar diverso daquele imposto pelo colozinador. Pela força transformadora de sua coragem de imaginar, resgatou um novo fio narrativo pra história da África no mundo e para história do mundo como um todo. Também compartilho a força inventiva e criadora de mundos de Frida Khalo, reproduzindo sua obra de 1943: Myself, Diego and señor Xolotol.

Para uma ruptura gigantesca, para a imaginação radical, vamos precisar de todo mundo.

The Love Embrace of the Universe, the Earth (Mexico), Myself, Diego and Señor Xolotl. Frida Khalo, 1943.

Atualização de referências pra gente asquerosa

Witzel não é bobo. Tudo pra ele é palanque.

Em agosto de 2019, um rapaz fez de reféns os passageiros de um ônibus. A operação durou cerca de 4 horas e terminou com o sequestrador sendo baleado e morto por um sniper. Houve controvérsia quanto ao, assim definido, sucesso da operação. Não vou entrar nesse mérito. O ponto aqui é destacar a inadequação e a inadmissibilidade do comportamento do governador do estado do Rio de Janeiro.

Eleito na sombra das afinidades de prateleira com o teocrata ultradireitista Bolsonaro, o até então desconhecido Witzel se oferece como servo dos interesses conservadores (retrógrados?) de falsos moralistas e liberais de mercado. Meteórico, ganha relevância defendendo a violência justiceira dos homens de bem, esses marcadamente covardes.

Uma das primeiras informações que o estado conheceu a seu respeito chegou através de um vídeo onde, ainda juiz, ensinava a torcer a lei a fim de se obter vantagens financeiras. Malandro, o fluminense deve ter ficado bem impressionado, porque o elegeu.

Confesso que não enxergava esse Witzel. Quando tomei conhecimento de sua presença, ele já era praticamente eleito. Defendia impiedade no combate ao crime. Desfazendo dos princípios que norteiam os direitos humanos universais e a própria legislação brasileira, repetia que a polícia teria liberdade de atirar antes e perguntar depois. Talvez nem perguntar. E, ao atirar, que fosse ja cabecinha.

Daí em diante, fica difícil elencar quais das suas manifestações públicas são mais desprezíveis. A certeza é a expressão grotesca do quadro.

Uma das atuações públicas de Witzel que mais asco me causou aconteceu em campanha, uma semana antes das eleições. Ao lado dos truculentos Daniel Silveira e Rodrigo Amorim, eleitos deputado federal e estadual pelo Rio, ostenta orgulhoso o vandalismo com a memória de Marielle Franco, cujo assassinato ainda segue sem respostas.

Os três covardes, em busca desesperada por relevância, procuram associar sua imagem à imagem não menos repulsiva de Jair Bolsonaro. O assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes também parece bastante associado à Jair Bolsonaro.

Exibindo a placa partida, os três delinquentes entregam mais um discurso de ódio e intolerância incitando a violência. Contentes em sua mediocridade insignificante, os três posam para a foto. Witzel aparece com o braço erguido e o punho cerrado, como quem celebra uma grande vitória. No rosto suado, estúpido sorriso.

Também é de causar asco a coletiva onde Witzel comunica sua política de segurança pública. Sempre expressando violência, preconceito e desprezo pela vida, declara que a polícia militar, em sua gestão, terá carta branca para matar, atirando primeiro e perguntando depois, porque ele “não tem bandido de estimação”. Em uma linha, sua política se resume à seguinte ordem: “é para atirar na cabecinha”. O alvo é claro: negros, pobres, favelados.

Desse modo, operações desastradas e irresponsáveis, construídas para serem espetaculares, entregaram ao mundo o caso isolado do dia. Todo dia.

Foi o caso isolado o assassinato de Agatha. A menina de 8 anos morreu nos braços do avô, baleada nas costas pela PM do Rio, de Witzel.

Foi o caso isolado o assassinato de Rodrigo Alexandre Serrano. O jovem de 26 anos foi alvejado pela PM do Rio por que portava um guarda-chuva para proteger a esposa e o filho da chuva. A desculpa: a polícia confundiu o guarda-chuva com um fuzil.

Foi o caso isolado do assassinato de Marcos Vinícius da Silva. O adolescente de 14 anos foi baleado enquanto ia para a escola, uniformizado com a camisa da rede pública de ensino. Ensanguentado, peito furado por projéteis do Estado, aninhado nos braços da mãe, ainda teve tempo de perguntar: “mãe, ele não viu que eu estava indo para a escola?”.

Esses casos isolados não se resumem aqui. Compõem uma longa ficha corrida de crimses de racismo e injustiça social cometidos pelo Estado com a chancela da população.

Witzel não apenas é asqueroso. Ele eleva a definição do termo para outro patamar. E é consistente.

Foi sendo consistente que no dia 20 de agosto de 2019 ele chegou de helicóptero, saltitante e celebrativo, para comemorar o assassinato de um rapaz que havia feito de reféns os passageiros de um ônibus sobre a ponte Rio-Niterói. Feliz, não cabia em si, o herói.

Questionado, negou a comemoração. Não estava comemorando uma morte, estava comemorando as vidas salvas, declarou.

Comemoração asquerosa de Witzel

Sem limite para espetáculo e o ridículo, Witzel fez de palanque a Libertadores. O sujo usando o mal lavado. Witzel que usa Bolsonaro, que usa o Witzel que usam o Flamengo, que usa Bolsonaro, que usa Witzel e que usam todo mundo.

A taça Libertadores é mais um acontecimento com garantida cobertura da imprensa e atenção popular. Patético, Witzel fez da vitória rubro-negra um evento para jogar holofotes sobre si. O picadeiro? A capital do estado que o elegeu governador.

Fantasiado no seu caricato sorriso de homem bobo, paletó cinza sobre a camisa do Flamengo e um manto da “nação” sobre o pescoço, pisou o gramado e se ajoelhou aos pés do atacante Gabigol. (Por extensāo, se ajoelhou aos pés do clube que pouco antes fora palco da morte de 10 jovens atletas por negligência deliberada, sem que, até o momento a diretoria ainda tenha sido responsabilizada.)

Witzel se ajoelhou em campo, em uma atitude asquerosa e populista.

Vi a cena e logo imaginei o toma lá dá cá que se negociou entre o governador, o clube e o jogador para a produção de triste espetáculo.

— Ah, mas que mal-humorada. O cara não se ajoelhou para o clube e nem para a diretoria, ele se ajoelhou para o Gabigol, o craque, o jogador. A festa não pode ser punida pelos erros dos cartolas. Não pode politizar o entretenimento.

É sério que você desconsidera a possibilidade de uma conversa, um faz-me-rir entre governador, diretoria e atleta?

Nem tive tempo de terminar meu pensamento. O assunto já era TT. O ângulo e o instante capturado, faziam o jogador parecer desconfortável em ter o Mr. Potato ajoelhado aos seus pés. Aparentemente, o atacante teria se afastado constrangido ou, talvez, enojado com a cena. E nem duvido que tenha sentido nojo e desprezo. Não duvido mesmo. As imagens em vídeo deixam mais evidentes o constrangimento.

Populismo asqueroso de um invertebrado

No Twitter, a chuva de histeria reproduzia a imagem ridícula acompanhada de frases como: Gabigol lacrou. Gabigol humilhou. Gabigol desprezou. Gabigol herói.

Fiquei aguardando quanto tempo até o herói dos tolos desmoronar. Não demorou nada. Poucas horas depois, vestindo medalha e o manto rubro-negro, a imagem asquerosa de Witzel e de Gabigol silenciando os arroubos de heroísmo inexistente na suposta recusa do atleta em receber a deferência do invertebrado que nos governa o estado.

Print da tela da conta oficial de Witzel agarradinho com Gabigol

Os passadores de pano, de todos os matizes sociais, econômicos, políticos e ideológicos, se apressaram para: passar pano! — Ah, mas a pressão da imprensa. — Ah, mas a pressão da diretoria.

— Ah, mas a pressão…dos privilégios e vantagens que posso acumular disso — deve ter pensado Gabigol. E a diretoria. E o governador.

Gabigol pode até ter sido forçado a posar de troféu pro tolete humano que o povo fluminense, com seu dedo de Midas invertido, colocou no poder. Mas, precisava posar assim cheio de dente e convicção?

10 flamenguistas não comemoraram

O lugar se chama Ninho do Urubu. Lá, jovens atletas são cuidados até se tornarem os craques do futuro.

Para a indústria que se alimenta do futebol, no Ninho se gesta lucro. Com sorte e inteligência, os melhores atletas também podem fazer dinheiro pra si mesmos, e fazer dinheiro pra durar.

Vai ser difícil. Corpo de atleta é corpo exigido além do limite. É corpo abusado. É corpo que lesiona muito. É corpo que gasta rápido. Mas, pra muita gente, a fama do esporte pode ser o único passaporte para fora da pobreza.

Isso é especialmente verdade para um país que despreza a educação, a ciência e a pesquisa. Em país que premia o mérito de se ter nascido com privilégios, a força física pode ser a única forma de romper com a roda da fortuna virada sempre de ponta-cabeça.

Tudo dando certo, os craques em formação poderão até ajudar as famílias de origem quase invariavelmente humilde. É uma espécie de conto de fada.

É muito bonito o que o esporte faz pelas pessoas.

O lugar se chama Ninho do Urubu. Lá, jovens atletas são cuidados até se tornarem os craques do futuro. Só tem um problema. Eles não foram cuidados.

Dormindo em alojamentos condenados, dez meninos morreram em um incêndio por negligência do Flamengo. Três ficaram feridos.

No Ninho do Urubu, em fevereiro de 2019, foram mortos 10 jovens por negligência do clube. Eram os filhos de 10 famílias.

Jovens atletas do Ninho do Urubu mortos em incêndio por negligência do clube
Jovens atletas do Ninho do Urubu mortos em incêndio por negligência do clube

As reações? Luto e indignação em redes sociais. Chocadas com a tragédia, as pessoas repercutiam o coração rubro negro dilacerado, manifestavam solidariedade às famílias e… defendiam o Flamengo.

Passou pela minha cabeça que o que capturou a atenção e a solidariedade geral não foi a morte de dez meninos por negligencia do clube. Passou pela minha cabeça que o que capturou a atenção e a solidariedade do público foi ser uma tragédia com o Flamengo. COM o Flamengo. Entende? Não eram os meninos.

O tempo passou sem que a diretoria do clube tenha sido punida. O que ficou? Uma memória sem afeto de uma tragédia espetacular e distante.

Dez meninos morreram. Mas está tudo bem. Em breve o Flamengo vai superar isso. A nação rubro negra jamais o abandonará. Afinal, o Flamengo traz tantas alegrias.

Torcedores lotam av. Presidente Vargas no Rio
Torcedores lotam av. Presidente Vargas no Rio

Hoje, com o penoso 2019 chegando ao fim, vejo as imagens de uma Presidente Vargas tomada de rubro negro em festa. O país tá bem. Não mobiliza tanta gente. As famílias dos meninos que morreram queimados por negligência do clube estão bem. Não mobiliza tanta gente pressionando o clube por reparação.O flamengo tá bem. Se coloca a serviço da propaganda fascista e dá tanta alegria que mobiliza gente. Muita gente. Viva o Flamengo. Viva a indústria do futebol.

Porque eu já tô de saco cheio

Alô, Marciano. Aqui quem fala é da Terra.

Brasil.

Rio de Janeiro.

Pele e osso sem recheio. E não bota a mãe no meio que dou porrada 3×4 e nem me despenteio.

Mas só se botar a mãe no meio. No mais, se a panela tá suja não quero nem lavar, se a roupa tá lavada não quero engomar, na esteira que deito não quero nem me virar.

Talvez se o Flamengo jogar. Talvez se o Boi Tolo desfilar. Talvez se der praia. Talvez.

O quê? Tão entregando o país pros lobos, pagando pra vender a autonomia nacional? Ih, rapaz. Me deixa aqui na esteira. Traz uma cerveja. Boa.

O quê? Genocídio. Hã? Etnocídio? Criança é? Matando criança indigena, nas favelas? Hum… Vagabundo, né? Mas, as crianças. Tragédia, né? Escuta: quanto foi o jogo?

O quê? Mais 1 bilhão de brazuka na miséria? 50% sobrevivendo com 413 reais? Pesado, hein… Mas o Guedes vai resolver. Isso é culpa do PT. Vai ver. Foi aquela Dilma. Bando de corrupto. Viu minha camisa do Brasil? Vou pedir pro Mito assinar.

O Guedes disse que o pobre não sabe investir os recursos que tem?! Ah… mas num é? Pobre é foda, no lugar de guardar dinheiro vai gastar com cerveja, prestação de TV, fazer churrasco.

Não? Tá é parcelando o arroz com feijão na conta do mercado?

Hahaha, espia aqui. Olha esse meme. A esquerda pira. Hahaha

Eu votei no 17. Ensinei criança a fazer arminha. Sou patriota. Os esquerda não deixam o homem governar. Torce contra. O Congresso joga contra. STF só tem safado. Bando de socialista de iPhone.

Qualquer coisa vou pra Portugal. Tenho cidadania. Bisavó da esposa. Lá que é bom. Escola de qualidade. Pública. Saúde. Mas o que eu quero é Estado mínimo! Pra cima deles, Guedes! haha

Que mimimi de censura o que. Vá… Agora sou obrigado a ouvir essas putaria de funk. Diz que é expressão cultural. Arte. Arte é Monalisa. Aqui minha self com a Mona. Aqui, ó. É esse bando de japonês na frente. Foda. Só no dedo nervoso. Mas tá ali. Atrás do vidro. Tá vendo?

Agora, fica esse bando de vagabundo de esquerda, mama teta, querendo incentivo pra cultura. Ai vai o cara e fica pelado no museu. E as crianças? Performance, meu cu. Putaria.

Essa gritaria. Marielle quem? Marielle vive. Vive onde? Morreu. Tá morta. Não tem resposta? Já prenderam o cara. E essa ai, se morreu, é que boa coisa não era. Querem o que? Incriminar o presidente? Ah, num fode. Eu quero é saber do filho do Lula, do pedalinho! Eu quero saber é do PT. E o peteeeee?

Agora essa palhaçada de agrotóxico. Tem que produzir. Tem que exportar. Tá é certo isentar imposto pra quem usa veneno na agricultura. Incentivo pro produtor.

Nem vem com isso de Amazônia. Pega fogo sozinho. Agora a California em chamas é culpa do Bolsonaro? Olha aqui o meme. Hahaha. Vou repostar pra família. Pera, deixa colocar a #ForaGlobolixo. Hahahha. A sobrinha esquerdinha vai fritar. Culpa da escola. Lavagem cerebral. Bando de comunista.

Mimimi o presidente mentiu no Twitter. Censura. Censura. Querem calar o presidente. Ele já disse que era brincadeira. Agora não pode brincar? Cadê o senso de humor? O brasileiro já foi melhor. Aqui. Acabou cerveja. Traz outra. Gelada.

Só assim pra descer essa agora. A Venezuela joga óleo na nossa costa e a culpa é do Bolsonaro. O cara não pode nem trabalhar. Subornaram o porteiro do Vivendas da Barra pra levantar falso contra o Mito. Claro que ele ficou nervoso. Patifaria. E daí que os Bolsonaro são vizinhos do assassino de Marielle? E daí que o filho do presidente namorou a filha do autor dos disparos? E daí que o Flávio homenageou os envolvidos no crime? E daí que os assassinos e seus familiares foram empregados no gabinete dos filhos de Bolsonaro? Nada a ver…

Chama aquela garota do thetahealing que tô precisando liberar meus traumas com a esquerdalha. Fazer arminha também ajuda. Vem cá. Deixa o vovô de ensinar. Hahahaha. Lembra, na cabecinha, que a gente não tem pena de bandido.

Agora vou descansar. Esse papo chato estressou. Deixa a cerveja.