Divertida cabeleira ou A juba branca

Eu sempre gostei de brincar com os cabelos. Achava fantástico poder mudar de cor, de corte e de penteado. Cabelo cresce. É brincadeira sem fim.

Das cores que eu queria experimentar estava o branco. Esperei pacientemente. Eles chegaram.

Desde os primeiros fios brancos parei de pintar. Bateu uma ansiedade. Comecei a contar quantos. Eles reluziam, era fácil. Achei que estava demorando pra eles dominarem a cabeça. Mas esperei.

Ainda não cobriu tudo, mas já gosto. Valeu a espera e a paciência. Por hora não sinto vontade mais de mudar, nem a cor e nem o corte. Simples e longo. Mas também é uma novidade, já que me dedicava aos muitos e variados curtinhos e estilizados.

A única chateação é a indústria da moda e do estilo querendo abraçar os brancos femininos pra dizer que nos autorizam. Façam o favor, que sua opinião não nos interessa. Sou porque sou e gosto. Quando quiser, mudo.

Não é exagero comparar

Auschwitz. Maior e mais terrivel campo de concentração e extermínio nazista. Epicentro do holocausto, foram mortos mais de 1 milhão de “inimigos”, entre judeus, homossexuais, ciganos, poloneses e prisioneiros soviéticos.

No auge do Holocausto, em 1944, eram assassinadas seis mil pessoas por dia no local. (Birgit Görtz, DW, 27.01.2021)

Hoje, por negligência do governo Bolsonarista, morreram 4.195 (dados oficiais) ou 4.211 (consórcio de imprensa).

Talvez não seja exagero dizer que o Brasil de Bolsonaro é um imenso campo de extermínio.

Sem assistência financeira do governo, brasileiros e brasileiras mais vulneráveis e vulnerabilizados enfrentam a fome diária. Vítimas de desinformação, campanhas de ódio e negacionismo, muitos de nós têm sido experimentados com drogas ineficazes ao combate da pandemia. Quando inaladas, procedimento indicado por alguns médicos, tais drogas podem levar a óbito. Subjugados à lentidão e desinteresse do governo em adquirir vacinas e aplicar medidas de contenção de contágio, nossa população inteira fica desasistida. Doentes infectados aguardam um leito que não está disponível e tampouco estará. Profissionaos de saúde exaustos de trabalho, abandono, violencia e lutos se veem obrigados à escolhas tão cruéis quanto decidir quem morre e quem tem o direito de tentar viver. Devido ao colapso do sistema, outros atendimentos e tratamentos de saúde ficam prejudicados. É o caso de pacientes diagnosticados com cancer, por exemplo.

Talvez não seja exagero dizer que hoje, o Brasil de Bolsonaro possa ser comparado a um campo de exterminio nazista.

Em 27 de janeiro de 1945 as tropas soviéticas libertaram cerca de 8 mil prisioneiros de Auschwitz. Em 1o de maio desse ano, após o suicídio de Hitler, Goebbels e sua esposa se suicidaram depois de assassinarem seus pais e filhos. O 8 de maio ficou guardado como o dia da Vitória dos Aliados contra o Eixo.

Sei lá. Uma esperança. Maio tá logo ali.

Não vale o que pula pulga.

1964 Foi golpe.

2013 Onda protofascista captura o movimento Passe Livre banindo bandeiras, partidos, sindicatos e batendo continência pra símbolo de opressão. Seu lema, vestidos de verdeamarelo: minha bandeira jamais será vermelha. 🤦🏽‍♀️

2016 Foi golpe. Foi também a misoginia e o machismo sem pudores.

2018 Desdobramento do golpe. Pela urna. Urna. Susbstantivo feminino. (1) receptáculo para recolher votos, etc. (2) recipiente com tampa onde se depositam as cinzas dos mortos. 🤷🏻‍♀️ Agora já são 333 mil mortos. 🤷🏻‍♀️

2021 Auto-golpe em articulação. “Quem poderia imaginar?” 🧐

É fácil (e justo) responsabilizar uma imprensa manipuladora, politicos, setores rentistas pouco escrupulosos, e por aí vai. Mas cada ser humano é dotado da fascinante capacidade de pensar, questionar, refletir, dialogar, projetar futuros, avaliar riscos.

Foi uma escolha. Sempre é uma escolha.

Bolsonaro é um. É insignificante. É inexpressivo. 99,2M é muita gente. 99,2M foram os que deram poder a quem não tem. O poder é seu. Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Aprendi nos quadrinhos. Use seu poder com responsabilidade.