Amoedo está chateado

Unanimidade no voto do partido NOVO contra a manutenção da prisão de Silveira. Não é a primeira vez que o NOVO se alinha ao mais baixo na política e na moral. É comum que argumentem e julguem em total descolamento com o contexto. Das bandeiras “inofensivas” compartilhadas com a extrema direita ultra liberal no poder consta: administração eficiente do estado. É uma versão da bandeira anticorrupção que nos trouxe aqui.

Interessante que os Novistas sapatênis aqui do meio fio já encontraram a desculpa para absolver seu partido: O Amoedo está chateado. Dizem que o voto contra a manutenção da prisão de Silveira não representa o bochecha rosa e nem o partido. Insistem que tem muito fascistoide disfarçado de liberal dentro do partido.

Fiquei confusa. Não é o NOVO, super “eficiente e racional” na administração, aquele partido-empresa, que faz processo seletivo pra adesão de membros? Tal processo, segundo Amoedo, é justamente para garantir que somente os que tem mérito técnico e moral, possam representar a legenda. É isso não? Tem também a taxa, né? A pessoa tem que ser aprovada no processo seletivo e pagar uma taxa de adesão ao clube dos seletos. Então, eles garantiriam a superioridade ética, moral e técnica de seus afiliados.

Ainda assim, o Amoedo está chateado porque, mais uma vez, os representantes pelo NOVO se alinharam com o pior.

Ou o processo seletivo deles é uma bosta, logo não se pode confiar na capacidade técnica que alegam, ou o CEO do partido, Amoedo Bochecha Rosa, não está nada surpreso.

Política não é administração de empresa.

Sob a sombra do abandono

Essa é uma reflexão importante. Procede priorizar a vacinação de profissionais de saúde que atendem remotamente em detrimento de outros grupos, efetivamente de risco?

Essa questão ganha mais relevância no contexto de escassez de vacinas que o Brasil enfrenta. Resultado do pobre planejamento das autoridades e estrategistas do governo.

Para piorar o cenário, a falta de um calendário nacional de prioridades, deixa que cada município se organize conforme suas próprias lógicas. Isso dificulta ainda mais o mapeamento de quais grupos foram vacinados e a definição de políticas públicas efetivas no controle e solução dos prejuízos causados pela pandemia.

No micro, a tragédia “espalha ramas pelo chão”. Abandonados aos próprios julgamentos, invariavelmente encobertos pela densidade da sombra que os interesses particulares ganham, indivíduos tentam se proteger cavando oportunidades dentro do caos. Profissionais de saúde, nem sempre em atuação e menos na linha de frente tem viajado para outros municípios atrás da desejada dose de vacina. Da perspectiva do indivíduo procede. É questionável, mas procede.

Cadê o Estado para orientar adequadamente os municípios, as populações, as classes profissionais e os indivíduos? Cadê o planejamento?

Há quem declare surpresa pela persistência dos prejuízos causados pela pandemia nas nossas vidas e no funcionamento da sociedade. Que surpresa é essa? Especialmente para nós, brasileiros. Pessoas, elegemos um governo que mata. E ele avisou que mataria.

Impressiona que alguém, livre de ser seguidor da seita b-nazi, carregue alguma fantasia de que o governo trabalha por soluções que visem o interesse coletivo e a vida. De onde nasce nessas pessoas a surpresa de que estamos mergulhando em queda livre infinita pelo menos desde novembro de 2018?