Tragedinha anunciada

Opa. Boa noite. A imagem é pessima, estilo olha o ovni, acredita em mim. Mas é a que posso fazer de noite, pelo celular, da varanda do prédio.

No ponto vermelho tem um farol piscando e um alarme disparado. É um carro, talvez um caminhão, pelo barulho absurdo que fez. O motorista perdeu o controle EM UMA RETA sem obstáculos e, na curva, foi parar dentro do canteiro remanescente da obra estupida de redesenho de avenida.

Parabens, Crivella. Parabéns, ativistas do Rio de Janeiro. Parabens, acadêmicos estudiosos. O prefeito está de parabéns pela (des)graça da obra. Os acadêmicos e ativistas estão de parabens pela inoperancia e omissão. Foram ativados. Preferiram calar. Me orientaram a ir SOZINHA na prefeitura. Fui, deu em nada, claro.

Lembro que na epoca poder publico e universidade, junto com uns ativistas bem intencionados faziam uma intervenção urbana mal comunicada e que não gerou nenhum resultado no bairro da tijuca. Parabens mesmo.

Também lembro que, em um evento sobre segurança do pedestre e mobilidade ativa — own — conversei com uma mocinha da prefeitura, responsável por esse tipo de questão. Me olhou como se fosse louca. Disse que eu não devia estar entendendo a obra. Já dei os parabéns?

Só pra recordar o que já sabemos e que já descrevi em post anterior, justamente sobre essa obra. Na longa, perfeita e livre reta, motoristas conduzindo carros, que já vem aceleradissimos da praia, ganham velocidades impressionantes.

Pedestres NÃO tem como atravessar sem risco de morte. NÃO tem redutor de velocidade. NÃO tem sinal. NÃO tem faixa de travessia. Nem vou comentar sobre acessibilidade para crianças, idosos, cadeirantes, carro de bebê, porque NÃO TEM. Facilidade e segurança para ciclistas? NÃO tem.

Tem uma calcadinha mequetrefe. TODA a iluminação é para os carros. Mas os postes ocupam lindamente a calcadinha mequetrefe. Ah, foda-se o pedestre.

Como pedestre me sinto ameaçada caminhando por essa calçada. É nítida sensação de que, no retão acelerado, um carro pode facilmente subir a calçada e levar o pedestre inconveniente pra outra vida — pra ver se para de atrapalhar nessa; já vai tarde.

Hoje não aconteceu. A essa hora da madrugada não há pedestres. A verdade é que depois dessa linda obra, vejo menos pedestres e ciclistas. Coisa que no bairro da Barra já é meio raro. Caminhar e pedalar é ato heroico, coisa de pobre ou de uber bike ou de maluco beleza ou de ciclochato, ou de velho ou de tudo isso junto. Eu mesma já não uso esse acesso. Embora seja o mais óbvio, é o mais mortal.

A policia chegou. Tô tão de saco cheio. Agora chegou a ambulância também.

Problema evitavel. Crime urbano.
Carro em alta velocidade na reta sobre a calçada e invade canteiro de mangue.

Publicado por

Deriva Navegante

Rês desgarrada nessa multidão

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