Passou da hora de construir outra história

Tem duas coisas que o neoliberalismo faz super bem. De um lado, provoca o esfacelamento das políticas públicas e dos sistemas de proteção social. De outro, concentra riqueza. O saldo é o desamparo e a humilhação do maior número de pessoas que, não sendo útil ao sistema econômico monopolista dos bancos e instituições financeiras, é apenas deixado para trás.

Sobrevivemos à duradoura política de não investimento em tecnologia e industrialização. Sobrevivemos à dependência proposital do mercado de importações, comprando caro os bens beneficiados e vendendo barato os insumos brutos. Sobrevivemos aos anos 90 de franco desmonte de qualquer vestígio de força e independencia nacional.

Durante mais de uma década, durante os anos 2000, respondemos ao ataque neolibral com anos de crescimento econômico, melhor distribuição de renda, democratização de bens simbólicos e fortalecimento da autoestima do povo brasileiro.

Os epoliadores não suportaram e voltaram ao centro do poder, sem que nunca tenham de fato se afastado muito. Sequer por um instante que fosse perderam seus privilégios de saquear impunemente. Apenas se viram obrigados a uma ação mais controlada, talvez elaborada. Penalizados por ter que dividir o bolo de forma um pouco menos desigual, iniciaram uma sucessão de golpes que ainda sustentam, como se os contorcionismos legalistas e as narrativas canalhas empurradas pelos grandes monopólios de comunicação sobre nós lhes conferisse alguma legitimidade.

Passou da hora de construir um projeto nacional do povo e para o povo que faça frente a essa histórica dominação de uma elite imoral, que não mede consequências para satisfazer seu desejo infinito de acumulação e privilégio.

O panaca eleito pra tocar essa caravela das elites não se sustenta. Todo dia é uma prova disso. A mais recente foi a ‘desistência’ de atender à cerimonia de homenagem à personalidade do ano da camara do comércio. Tão miserável que é, inviabilizado de pisar em Nova Iorque, e na certeza de que se lá pisasse seria recebido com o achincalhe que merece, lhe restou o acolhimento na velha e também miserável programação de domingo da “família patriótica cristã tradicional” veiculada pelo SBT.

Na minha cabeça, ouço o bordão musicado “o Bolsonaro é coisa nossa!”, quando então um representante do pastelão solta uma piadinha machista ou racista ou homofobica, ou todas elas juntas.

É o presidente dos mais baixos redutos e dos mais baixos princípios e valores. Não se sustenta. Rua com ele, porque o trabalho dele é terminar e selar de vez o desmonte que FFHH não foi capaz de coroar por completo.

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Publicado por

Deriva Navegante

Rês desgarrada nessa multidão

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